Na música, o termo nota possui dois significados principais. Ele pode se referir ao símbolo usado na notação musical, que representa a duração e a altura de um som, ou ao próprio som, definido por uma frequência específica. As notas musicais funcionam como os verdadeiros “átomos” da música, permitindo sua execução, compreensão e análise ao longo da história.
O conceito de nota pode ser usado tanto de forma genérica quanto específica. Em alguns contextos, representa um evento musical individual; em outros, uma classe de sons que compartilham a mesma altura musical. Essa organização foi essencial para o desenvolvimento da teoria musical e para a construção do sistema que deu origem aos nomes das notas musicais.
O sistema de nomes das notas musicais
Na teoria musical tradicional, a maioria dos países utiliza a sequência dó, ré, mi, fá, sol, lá e si. Esse sistema de nomenclatura das notas musicais é adotado em regiões como Itália, Espanha, França, Romênia, países da América Latina, Grécia, Turquia, Rússia e em diversas culturas de origem árabe.
Já em países de língua inglesa e holandesa, é comum o uso das letras do alfabeto latino para representar as notas musicais: A, B, C, D, E, F e G. Apesar da diferença na forma de nomear, ambos os sistemas representam as mesmas alturas sonoras e têm relação direta com a origem dos nomes das notas musicais.
A origem medieval das notas dó, ré, mi
A origem das notas musicais como as conhecemos hoje remonta à Idade Média, especialmente ao contexto da música coral religiosa. O responsável por esse sistema foi Guido d’Arezzo, um monge e teórico musical italiano do século XI. Seu método, conhecido como sistema de solmização, facilitou o ensino e a memorização das melodias, marcando definitivamente a origem dos nomes das notas musicais.
Guido utilizou as sílabas iniciais de cada verso de um hino dedicado a São João Batista, escrito por Paolo Diácono. Cada verso começava com uma sílaba diferente e era cantado em um grau sucessivo da escala musical, o que ajudou a fixar os nomes das notas musicais entre os cantores.
Os versos originais em latim eram:
Ut queant laxis
Resonare fibris
Mira gestorum
Famuli tuorum
Solve polluti
Labii reatum
Esses versos expressavam um pedido para que os servos de Deus pudessem cantar com pureza, reforçando o caráter religioso que marcou a origem das notas musicais.
Da sílaba “Ut” ao “Dó”
Com o passar do tempo, a sílaba “Ut” foi considerada pouco prática para o canto. Por isso, o músico italiano Giovanni Battista Doni sugeriu sua substituição por “dó”, que apresentava melhor sonoridade para o solfejo e a execução musical.
Além disso, foi incorporada a sílaba “si”, formada a partir das iniciais de Sancte Iohannes (“São João”). Dessa forma, consolidou-se o conjunto atual de nomes das notas musicais: dó, ré, mi, fá, sol, lá e si. Em algumas tradições, a sílaba “sol” chegou a ser simplificada para “só”, buscando maior uniformidade na pronúncia das notas musicais.